TÍTULO – O DESEJO DE FILIPA

2022 2ª Edição

Arte da Capa – ILB Novel

Revisão – Artemia Souza

Diagramação: ILB Novel

Registro na Biblioteca Nacional

1ª Edição – 2022

Todos os direitos reservados.

Esta é uma obra de ficção. Nomes, personagens, lugares e acontecimentos descritos são produtos da imaginação da autora.

Qualquer semelhança com nomes, datas e acontecimentos reais é mera coincidência.

Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida por qualquer meio ou forma sem a prévia autorização dos autores.

A violação dos direitos autorais é crime estabelecido na Lei nº 9.610/98 e punido pelo artigo 184 do Código Penal.

Fotos da capa – Depositphotos

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Faltando poucas semanas para o final da temporada de bailes na grande cidade de Arcádia, a senhorita Filipa Marcondes, apesar de ser uma jovem muito requisitada, daquelas que voltava para casa sem nenhuma ficha que lhe dava direito a uma dança com um pretendente, ao invés de arrumar um marido, para a tristeza dos seus pais, ganhara a fama de fujona.

Dores de cabeça, resfriados repentinos e quedas arquitetadas lhe resultavam em repousos absolutos, e essas eram algumas das situações que pegavam a todos de surpresa e aconteciam justamente nos dias em que ela precisava comparecer a um chá da tarde na sua enorme sala de estar para receber seus pretendentes.

Dentre vários casos, ela já escapara de um casamento com o conde Albert, que tem a idade para ser o seu pai, do viúvo afortunado dono de muitas terras, Benjamin, que levava a fama de ser mulherengo até após os seus dois casamentos, e do filho do maior comerciante da região, Gregório. Os boatos sobre ele foram confirmados por Filipa assim que ele adentrou a sua casa. Havia dias que ele não tomava banho, o que lhe causou uma crise alérgica. Com certeza esses homens não preenchiam seus requisitos, que ela nem poderia sonhar em pronunciar.

Feliz com seus planos mirabolantes, em uma tarde nublada, porém com o tempo estável, ela resolve passear no seu jardim sendo acompanhada por sua dama de companhia, a senhora Adelaide.

Entre um canteiro impecável cheio de rosas e outro com lírios brancos em abundância, Filipa sente um toque em seu ombro e, para sua surpresa, ao virar-se encontra Adelaide gargalhando, e de forma alguma ela faria isso em público.

— Ora, diga-me o que lhe causou as gargalhadas, preciso te acompanhar em tal divertimento. — A sua curiosidade toma conta de todos os seus pensamentos e ela já sorri antes mesmo de saber o motivo.

— A senhorita parou de mancar assim que nos afastamos da casa.

A jovem congela e suas mãos ficam suadas, como se todo o sangue estivesse abandonando o seu corpo, e pela primeira vez percebe que pode estar passando mal, afinal de contas, todas as suas desculpas agora seriam duvidosas, pois acabara de ser pega na própria mentira.  

Sendo assim, senta-se sem muitos modos em plena grama úmida, sem nem ao menos se importar com o tecido fino e caro do seu vestido, e Adelaide, quase entrando em pânico ao ver o estado da inocente menina, a acompanha em seu gesto e se acomoda ao seu lado.

— E-eu não gostei de nenhum deles, como poderia me casar? — Sua pele pálida fica rapidamente avermelhada e uma lágrima molha as suas bochechas. — P-por favor, não me entregue.

No mesmo instante Adelaide segura sua mão delicada coberta por uma luva e com um sorriso tenta a confortar.

— Será um segredo nosso, senhorita.

A jovem, que brota esperança de um dia encontrar o verdadeiro amor, volta a respirar e, com um gesto um pouco dramático, coloca a sua mão esquerda na direção do seu coração.

— Preciso viver o que meus pais e meus irmãos vivem, vejo que eles estão felizes com suas escolhas, mas me encontro na posição de ser escolhida, e isso me aflige.

Ela finalmente desabafa, contando sobre todos os seus medos, já que teve a sorte de ter uma dama de companhia com pensamentos além do seu tempo, e as duas ficam por um bom tempo conversando sobre amor, família, planos para o futuro, até que a noite dá seus primeiros sinais e a temperatura abaixa, forçando-as a voltarem para casa.

 

 

— Acorda, senhorita. – Filipa pensa que está sonhando e se encolhe ainda mais entre os seus lençóis. — Acorda, senhorita. — Agora ela já sabe que é a realidade, e ao abrir os olhos pela segunda vez vê Adelaide com um olhar triste ao invés de toda a empolgação matinal que lhe é de costume.

— Diga-me, a-aconteceu algo? — Faz a pergunta em um tom tão baixo, sentindo o calafrio do medo da resposta, ela sabe que uma saudação como aquela não anuncia um dia feliz, pois já tinha vivenciado a mesma situação quando seu querido avô faleceu.

— A senhorita precisa se arrumar, pois mais um pretendente chegou. — O ar volta aos pulmões da moça cheia de ideias infalíveis, enquanto ela já imagina uma nova desculpa.

— Preciso ficar próxima à lareira e aquecer minha pele, logo depois você poderá informar a todos que estou febril. — Sua ideia a faz sorrir e, demonstrando cansaço, Adelaide se senta na beirada da cama.

— Creio que não será possível, pois desta vez não é uma visita comum, e como somos próximas te deixarei a par de toda situação.

A cada palavra dita por Adelaide, involuntariamente Filipa aperta com pequenos beliscões a sua própria pele, em uma tentativa desesperada de acordar de um provável pesadelo, mas em vão.

— A senhorita entende? Daqui a pouco será o seu noivado e eu acabo de descobrir, pois todos da cozinha passaram a noite preparando um farto café da manhã.

Ela finalmente se vê em maus lençóis.

— Por favor, chame a minha mãe, tenho esperança de que ela se compadecerá de mim. — Lágrimas abundantes molham seu rosto. — Como firmarei um compromisso assim? Nem sequer fui cortejada.

Lamentando a sorte da sua senhorinha e com um pouco de esperança, Adelaide atende o pedido de Filipa, vai ao encontro da Sra. Teodora e, para sua surpresa, ela atende o pedido da filha.

...

— Logo sua mãe estará aqui. — Adelaide tenta confortá-la assim que volta para o quarto da sua senhorinha. — Agora me acompanhe, já preparei seu banho antes de te acordar e a água não pode esfriar.

...

Com os longos cabelos em um tom de loiro-escuro presos em um coque elegante formando uma flor, usando um vestido em dois tons da cor verde, Filipa vê o seu reflexo no espelho enquanto Adelaide aperta as suas bochechas e passa um pouco de Rouge para deixá-las com um tom mais saudável.

—Você está linda. — Teodora só falta saltar de alegria ao vê-la, mas logo se acalma ao notar o semblante entristecido da sua filha.

— Por que este noivado tão repentino?

Sua mãe caminha em passos largos até alcançá-la.

— É o melhor para você, minha filha, sua fama de fujona se espalhou, e eu sei que você não quer ser uma solteirona.

Ela realmente não queria ser uma solteirona, mas desejava casar por amor e não entendia por que não aceitavam a sua decisão.

— Eu nem sei quem ele é, não conheço seus modos, gostos, planos, como o amarei?

Nos próximos minutos Teodora resolve contar sobre o amor que surge após o casamento, dos filhos que unem ainda mais o casal, sobre a submissão da mulher, da beleza do seu noivo, e ao invés de se sentir confortável, mais aflita a doce menina fica ao mesmo tempo que tenta a todo custo se conformar com o destino.

 

 

 

Sem mais argumentos e ao perceber que não tem escapatória, Filipa caminha lado a lado com sua mãe até a sala de estar, onde o jovem fazendeiro, Thomas Bacelar, juntamente com seus pais, a esperam, e realmente algo de bom o seu futuro esposo tem, a beleza.

Thomas, apesar de ser um jovem apresentável e educado, gasta o seu tempo falando sobre o que planeja para o seu futuro, sobre o que gosta de comer, dos seus costumes e dos filhos que almeja, o que até então ela considera normal.

— Na verdade, quero ter no mínimo sete filhos.

Filipa quase se engasga com um pequeno sequilho. De onde ele tirou que ela aceitaria ter tantos filhos? Ele nem sequer perguntou o desejo da sua futura esposa e, desta forma, deixou claro que naquele casamento ela seria apenas um corpo sem voz, o que mais ela temia.

No final da manhã, todos ainda estavam saciados por causa de toda fartura dos bolos, biscoitos e queijos do noivado. A família Marcondes, empolgada com o casamento que já estava marcado para acontecer em um mês, e Filipa com um anel invejável. Joia que com certeza seria o sonho de consumo de qualquer moça, menos o dela, que preferia ser solteira a casar sem amor.

— Será que a minha noiva me daria a honra de um passeio no jardim? — Filipa eleva seu olhar para Thomas e não consegue conter suas emoções, seus olhos marejados a entregam, até seu noivo, que não é muito observador, percebe que aquele não é um bom momento.

— Perdoe-me, e-eu não estou muito bem.

E dessa vez é verdade, a cabeça da pobre moça lateja de dor, porém Thomas apenas gargalha ao ouvir sua resposta e, decidido a desde já exercer seu poder de homem que a sociedade lhe dá, insiste:

— Não me diga que a senhorita pensa que vou acreditar nessa desculpa. Sinto lhe informar, minha digníssima noiva, mas podes até fugir de um passeio hoje, mas logo não poderá.

O que ela ouve faz seu estômago embrulhar e por alguns segundos ela tem a sensação de que colocará para fora todo o café da manhã diretamente no traje impecável do seu noivo.

— Por favor, dê-me licença, realmente estou indisposta.

E, contrariando a ordem de Thomas, ela se vai, sem se incomodar com os costumes, até chegar no seu aposento.

...

Nos próximos dias, a noiva menos empolgada de toda Arcádia vive os seus compromissos típicos de quem está prestes a subir ao altar. Primeiro, teve que escolher a cor, modelo e tecido do seu vestido de casamento; logo depois, encarou todo seu enxoval bordado há anos apenas com a sua inicial, pois todas as peças teriam que ficar prontas, incluído a inicial do noivo, então, mesmo contrariada, Filipa se pôs a bordar.

Faltando quinze dias para o enlace, precisou provar os pratos que seriam servidos no almoço comemorativo do casamento e decidir se queria fios de ovos para enfeitar a sobremesa do grande dia ao invés de fugir como de costume para a enorme biblioteca da sua casa e se perder lendo os livros.

Faltando uma semana para o enlace, tendo como convívio com seu noivo apenas três encontros catastróficos, por sorte sendo acompanhada por Adelaide e sua mãe, a jovem está ainda mais aflita, e a sensação que caminha para a forca só aumenta.

Neste andar da carruagem, ela já tinha imaginado mil e um planos para fugir do altar, mas até a mais sonhadora das damas sabia que não seria possível fugir a não ser que um raio caísse na sua cabeça na entrada da igreja. A imaginação a fez sorrir de desespero, a verdade é que ela já se considerava atingida por um desde que foi obrigada a firmar compromisso com o jovem.

 

 

 

 

 

Na manhã seguinte, mesmo sem ânimo algum, um compromisso lhe espera, e desta vez o encontro marcado é com a modista, pois se fazia necessário a prova do seu vestido de noiva, que mesmo contrariada, escolheu o modelo mais lindo que viu na revista de moda sonhando que se casaria com o grande amor da sua vida.  

...

Já na modista, acompanhada por sua mãe, a querida dama de companhia e sua futura sogra, Filipa pediu privacidade para ir até o quarto onde faria a prova, prometendo que quando estivesse pronta desfilaria para as três e ambas empolgadas com a surpresa aceitaram.

Seguida por Matilde, proprietária do atelier mais ilustre da cidade, ela foi para sua prova, e quando tentou vestir o vestido dos seus sonhos foi pega de surpresa, pois o traje ficou um pouco mais apertado do que deveria. A verdade é que tantos experimentos de pratos para o seu casamento e mais alguns bolinhos de chuva que comeu além do que deveria por causa da ansiedade e nenhuma caminhada provavelmente a fez engordar um ou dois quilos.

— Não se preocupe, não se preocupe, com meio metro de seda resolvemos este probleminha, fique aqui que já volto.

Antes de sair, para não deixar a noivinha sufocada, Matilde desamarra o corpete e se retira às pressas para buscar o tecido que precisa para o ajuste.

Como há dias não se divertia, Filipa, ao se ver no espelho, mesmo estando um tanto desarrumada, levanta um pouco a saia do seu vestido e se põe a dançar observando o balanço do tecido. Entre um movimento e outro ela ouve um barulho que vem da rua e, curiosa, se aproxima da enorme janela que está encostada, abre um pouco para matar a sua curiosidade e, a partir daí, tudo acontece muito rápido.

Um homem de estatura alta pula a janela, Filipa se assusta, mas nem ao menos tem tempo de dar mais do que dois passos para trás, o jovem que ela nem conhece acaba pisando na delicada barra do seu vestido, forçando todo o tecido abaixar ainda mais. Para completar eles caem e, no desespero, acabam puxando algumas peças de rendas e sedas caríssimas que os cobrem parcialmente.

Ousadamente ele fica deitado por cima dela, encaixado entre suas pernas, com o rosto próximo aos seus seios cobertos apenas por sua roupa de baixo, em uma posição completamente comprometedora que deixa a jovem sem ar e com o coração acelerado.

— Filipa?

Ela ouve passos e a voz da sua mãe, porém continua inerte, observando o belo rapaz dono de olhos castanhos marcantes, de um rosto másculo com mandíbula marcada, barba muito bem-feita e corpo atlético, pois nem todos os tecidos que os separam eram capazes de evitar tal sensação.

Por outro lado, ele tenta se levantar, mas primeiramente precisa se livrar das peças dos tecidos, mas ao olhar para a jovem que está por baixo dele, propositalmente procrastina a continuação da ação.

O jovem a observa, gosta de ver seu rosto delicado em formato de coração de perto, fica hipnotizado com seus lindos olhos azuis bem abertos e seus lábios rosados mais parecem uma armadilha que ele tem vontade de cair.

Tentando vencer a tentação, arrisca-se a levantar, porém, com esta ação não imaginava que se depararia com a pele delicada do colo da moça quase desnudo no limite dos seus seios cobertos por um tecido fino que desenha os mamilos. A visão alinhada com o desejo de provar seus lábios o faz ficar de uma forma que a linda dama ainda não conhece ou ela perceberia o quanto o afetou, então, rapidamente se põe de pé, segura um tecido para esconder seu estado, e quando estende a sua mão para ajudar a jovem, se depara com três mulheres igualmente assustadas paradas na porta.

— Filipa, você está bem, minha filha? — Teodora corre em direção a sua filha e Adelaide cobre seu corpo com um tecido qualquer.

— O casamento não mais acontecerá. — A senhora que continua na porta direciona o olhar para a mãe de Filipa. — A sua filha desonrou o meu filho, acabamos de vê-la quase desnuda nos braços desse rapaz.

Então caminha até a jovem, que permanece sentada no chão, alcança sua delicada mão, tira o anel de noivado e se vai deixando todos sem ação.

— Meu Deus! Em pouco tempo todos de Arcádia vão saber o que aconteceu e nenhum homem se casará com você, minha filha. — A mãe da bela moça se desespera e só então Guilherme percebe a gravidade do que fez.

Ao tentar fugir das damas desesperadas que não podem vê-lo na cidade que avançavam em sua direção para empurrar suas filhas, ele acabara comprometendo uma jovem, e por mais que ele quisesse ser um solteiro convicto, nunca, jamais prejudicaria uma moça inocente.  

— Eu me casarei com sua filha.

Mesmo sem pensar direito, ele se compromete e sua futura esposa coloca a mão na boca como se quisesse conter um grito ao olhá-lo, mas ele nota um certo brilho nos seus olhos que muito lhe agrada.

— E-eu nem te conheço. Como poderei me casar?

E mesmo o olhando com certo encantamento por o achar muito bonito e se encantar com seu porte másculo, ela recua, e ele gosta da sua pergunta, na verdade, ama saber que ela não sabe quem ele é. Guilherme já estava cansado de ser visto como um troféu.

— Temos quinze dias para nos conhecermos e casarmos, nosso noivado será daqui a uma semana, nos próximos dias passarei em sua casa para um chá ou um passeio, e sobre quem sou... — Ele pausa um pouco para ver se Filipa já desconfia de quem ele seja e, satisfeito por não ver nenhum sinal que a entregue, ele prossegue: — Meu nome é Guilherme Gales.

E dessa vez é Adelaide e Teodora que colocam a mão na boca, tentando conter um grito ao perceberem que estavam de frente para um Duque.

 

 

 

No dia seguinte, como prometido, o Duque Guilherme, juntamente com seus pais e irmã, comparece a casa da sua futura noiva para firmar um compromisso mais formal, e enquanto a esperava na sala percebeu que estava ansioso. Já a vira em uma circunstância até comprometedora, mas precisava constatar que o brilho no olhar que notara na manhã anterior continuava presente.

— A senhorita Filipa já está vindo — a dama de companhia anuncia, e ele se põe de pé para recebê-la.

Em poucos segundos ela aparece na sala, linda como uma manhã de verão, o fazendo acreditar que, se tinha algo que ele fez de certo na vida, foi pular a janela da modista.

...

Ansiaram por um pouco de liberdade, mas para a insatisfação de ambos, não tiveram um momento sequer, nem para uma conversa a sós, além de ser contra os padrões da sociedade, o fato dele ter caído por cima da sua futura noiva já os comprometia bastante e ninguém estava disposto a testar se aquele breve encontro com contato extremamente avançado causara uma faísca antes do casamento.

No segundo dia, na cidade de Arcádia, ninguém mais se lembrava que Filipa já fora noiva do jovem Thomas, e todos estavam em polvorosa. Nos quatro cantos só falavam do noivado que aconteceria em alguns dias e tentavam adivinhar quem seriam os convidados para tal evento.

Faltando um dia para o noivado, como prometido, Guilherme mais uma vez comparece ao chá da tarde para ter um momento com sua noiva, e como nos outros dias sentaram no mesmo sofá, porém separados por sua dama de companhia.

— Preciso repor os sequilhos, pois já estão acabando — Adelaide comenta, os surpreendendo —, mas não vou demorar.

Ela se retira, deixando a porta da sala de estar um pouco encostada, e sua jovem senhora sabe que sua dama de companhia está usando uma desculpa para deixá-los um pouco a sós, ela precisava lembrar de agradecer mais tarde.

— Animada para nosso noivado?

Por ter avançado um lugar no sofá, a voz grave e levemente rouca do duque sussurrada próxima ao seu ouvido lhe deixa arrepiada, e em um local específico um pouco úmida. Filipa não sabe ao certo que nome daria as novas sensações, mas gostava e desejava que ele falasse cada vez mais perto.

— Nunca imaginaria que responderia um sim para um noivado tão repentino.

Envergonhada por ser sincera, abaixa a cabeça, tentando se manter o mais natural possível, e Guilherme, após retirar a sua luva, toca no seu rosto e acaricia, forçando-a de forma delicada um contato visual.  

— Confesso que também estou animado, e não me imaginava nesta situação, até porque, naquele nosso primeiro encontro desastroso, eu estava fugindo de algumas damas que me viam como prêmio para suas filhas. — A resposta anima Filipa, é como se ela estivesse vendo a sua versão masculina e agora ambos tinham um assunto em comum, as fugas, sem falar que ele não lhe assustara falando de filhos, e como um homem que parece estar à frente do seu tempo, conversa sobre suas viagens, estudos, lugares que ainda queria conhecer e, vendo os olhos de sua linda futura esposa brilharem, já sabia em parte como deixá-la feliz. — Quero lhe apresentar o mundo, Filipa.

Um lindo sorriso brota dos seus lábios, mas uma preocupação típica de uma mulher inocente lhe acomete. Como poderiam viajar tanto se estavam prestes a criar uma família?

— Adoraria, mas como viajaremos tanto se logo tivermos filho?

Ele sorri, achando atraente a sua inocência ao achar que todo ato entre um homem e uma mulher poderia levá-los à paternidade. Ele já sabia que não era desta forma e que ambos poderiam usufruir dia a dia do prazer e ele estava disposto a ensinar.

— Existe uma maneira de evitar.

— Como? — ela pergunta, praticamente o atropelando, e aperta o tecido do vestido em um gesto que demonstra um pouco de ansiedade.

— Te mostrarei quando casarmos. — Só de imaginar tal intimidade a respiração de Filipa fica um pouco acelerada e suas bochechas avermelhadas, de tal forma que Guilherme não consegue se manter longe e toca nos seus lábios macios que desde o primeiro momento lhe chamou atenção. — Filipa...

A sua voz sussurrada em combinação perfeita com seu toque faz a inocente moça fechar os olhos e seus lábios entreabertos chamam ainda mais atenção, então ele avança.

Primeiro ela sente leves cócegas causadas pela barba do seu noivo quando ele se aproxima, e então abre seus olhos e o vê bem perto como se estivesse buscando autorização para continuar. Sendo assim ela volta a fechar os olhos, ele entende o gesto e logo seus lábios estavam unidos. Inicialmente de forma mais tímida, mas quando ele a abraçou, como se ela fosse uma pena, a trouxe para o seu colo, seus lábios entreabriram e suas línguas se encontram como se estivessem dançando uma valsa que logo se transformou em tango e o calor do encontro já os queimava de tal forma que estava quase que impossível suportar, até que ouviram passos e rapidamente se afastaram. Eles até poderiam pensar que conseguiram esconder o que acabara de acontecer, mas Adelaide sabia muito bem quanto se demorar para permitir certo avanço e conter outros.

 

 

Na noite que antecede o baile de noivado, os pensamentos da futura duquesa a impedem de dormir, as lembranças recentes de um beijo, que na verdade foi o seu primeiro, a deixam aquecida e, pela primeira vez, sente necessidades que sequer entende, mas que envolvem apenas duas pessoas, ela e Guilherme.

...

Enquanto o baile de noivado acontece, se ouve o burburinho, pois em poucos dez dias de organização o noivado está impecável. As jovens damas, ainda que entristecidas por terem perdido o melhor partido da cidade, parecem estar animadas com a festa e praticamente atacaram a bandeja com as bombas de chocolate e todo refresco.

— Será que minha futura esposa me concede uma dança? — Com bom humor que lhe é característico, Guilherme a corteja e, completamente entregue, Filipa estende sua mão que já estava lindamente adornada com um belíssimo anel de noivado.

— Acredito que todas as minhas fichas são para o senhor, meu futuro esposo. — Ele gosta de vê-la sorrindo e da sua inteligência ao saber brincar com as palavras.

...

Entre um passo de dança e outro, a jovem sortuda vê alguns dos seus pretendentes que conseguira fugir e começa a rir, despertando a curiosidade do seu noivo.

— Com o Sr. Bartolomeu, fingi ter alergia — ela confessa.

— Com a senhorita Damares, fiquei indisposto e precisei sair de um certo baile mais cedo.

Ambos se divertem enquanto giram para a direita.

— Quando o Sr. Antunes foi me visitar levando um enorme buquê de rosas, misturei um pouco de tinta com rouge, logo depois fiz pintinhas por todo meu corpo. Quando ele me viu saiu correndo, achando que era contagioso.

Guilherme inclina Filipa para a esquerda em mais um passo e seu rosto fica próximo ao dela, assim como os seus lábios.

— Eu nunca fugiria de você — ele confessa, a pegando de surpresa, eles se ajeitam e param de dançar perdidos entre olhares, como se estivessem em um mundo particular.

— Sr. Gales, com certeza eu fugiria com você.

Ele analisa cada palavra da sua linda noiva e olha para a porta que dá acesso a um jardim de inverno da casa.

— Fugiria agora?

Ela responde com gestos, um sorriso travesso, e ele volta a guiar os seus passos de forma tendenciosa, até se aproximarem da porta e, com toda movimentação do baile, conseguem fugir correndo de mãos dadas pelo enorme corredor iluminado com pequenos candelabros até chegarem no jardim extremamente reservado, rodeado de flores e pequenas árvores, que deixa Filipa admirada enquanto sua respiração vai normalizando.

— Se alguém nos vir aqui...

Ele caminha com ela até o centro do local, onde tem um sofá bastante confortável que sua mãe vez ou outra usa para leitura ou descanso e dá um passo em sua direção.

— Acredito que vão adiantar ainda mais o nosso casamento.

Ela se aproxima com os olhos presos nos dele e o ambiente começa a ficar um pouco mais aquecido, principalmente porque ela só pensa no beijo do dia anterior.

— Não será má ideia.

Então eles se beijam, sem medo de serem pegos, com mãos mais ousadas, abusadas, e com a única certeza rondando o pensamento de ambos, um queria ser do outro, urgentemente.

— Guilherme. — Ela se afasta com o corpo em chamas e coloca a mão no peito dele. — E-eu não quero parar.

Ele acha divertido a rendição da sua noiva.

— Também não quero parar, mas nosso primeiro momento não poderá ser aqui.

Ele pensa no conforto da sua cama que ela merece, mesmo sabendo que o sofá presente no local é mais que suficiente.

— Então volte a me beijar.

Guilherme sabe que ceder a esse pedido é o mesmo que não parar, mas ele também não resiste, carrega sua noiva, e com ela nos braços se senta no sofá.

Primeiramente os lábios se unem ainda mais ousados, intercalando as posições para um encaixe melhor, instantes depois Filipa sente seu corpete sendo desamarrado e seu vestido cedendo um pouco, a deixando coberta na parte superior do seu corpo, apenas com sua roupa de baixo como na primeira vez que se viram.

A mão de Guilherme, que repousa no seu ventre, devagar começa a contornar suas curvas, seus seios ficam ligeiramente maiores e os mamilos rijos como se estivesse com frio, mas o que ela mais sente no momento é calor e muita ansiedade.

Então ele tocou em seu ombro, com sua mão máscula puxou de forma delicada a peça e ele viu os seios da sua desejada, mais lindos do que imaginara, como montes arredondados perfeitos iluminados pelo brilho da lua.

Sem mais condições de parar, ele a coloca deitada no sofá, ajoelha ao lado e põe seus seios na boca de forma intercalada, e enquanto prova a sua pele macia e ouve os gemidos da sua futura esposa, levanta um pouco sua saia e acaricia sua panturrilha, depois sobe lentamente, sentindo sua pele macia até encontrar o elástico da sua peça íntima um pouco acima do joelho.

Como um homem experiente, ele continua com os toques mesmo que por cima do fino tecido, até chegar no ponto mais íntimo onde faz movimentos circulares.

— Guilherme, Guilherme — Filipa repete seu nome quase como um clamor e movimenta ousadamente o quadril, ele sente o quanto ela está pronta e, colocando-se em pé, levanta ainda mais a saia para poder tirar a sua roupa intima.

Em seguida, deita-se parcialmente por cima da sua desejada noiva, volta a beijá-la, e enquanto detém seus gemidos acaricia sua intimidade, lentamente, depois aumenta a rotatividade até senti-la estremecendo e inclinando a cabeça para trás para respirar melhor, só então liberta seu desejo e a tem lentamente até seu corpo se acostumar.

— Agora, minha amada noiva já sabe como se evita um bebê e nós podemos evitar até estarmos prontos para sermos pais.

Completamente feliz em um nível jamais vivenciado, ela acaricia o rosto de Guilherme.

— Agora eu também já sei como é amar e ser amada.

E voltam a se beijar, e ambos esquecem completamente que um baile estava acontecendo.

...

Enquanto os noivos estavam sumidos do seu próprio noivado, Adelaide tratou de manter a presença deles mesmo que de forma disfarçada. Ao se aproximar de várias damas que comiam os doces como se não houvesse amanhã, ela sutilmente comentou que os viu perto da mesa onde estavam as jarras de refrescos. Para seus pais, ela conta que ambos estavam sentados nas mesas da ala leste acompanhados e jantando, e para o reverendo serviu bombas de chocolate. Adelaide sabe que ao ver os doces o reverendo nem consegue raciocinar.

...

Com a reputação da jovem guardada, na manhã do seguinte domingo, onde o tempo firme se fez presente, na Catedral de Arcádia, sendo testemunhada por centenas de pessoas e usando o seu belíssimo vestido azul que realçava os seus olhos, a não mais fujona tornou-se a Duquesa de Arcádia Filipa Marcondes de Gales e assim realizou o seu mais profundo desejo, casou-se por amor.

 

FIM

 

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