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TÍTULO – ACORDO COM O DOUTOR DAVIES

2025 1ª Edição

Arte da Capa – ILB Novel

Revisão – ILB

Diagramação: Daiana Morais

Registro na Biblioteca Nacional

1ª Edição – 2025

Todos os direitos reservados.

Esta é uma obra de ficção. Nomes, personagens, lugares e acontecimentos descritos são produtos da imaginação da autora.

Qualquer semelhança com nomes, datas e acontecimentos reais é mera coincidência.

Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida por qualquer meio ou forma sem a prévia autorização dos autores.

A violação dos direitos autorais é crime estabelecido na Lei nº 9.610/98 e punido pelo artigo 184 do Código Penal.

Fotos da capa – Depositphotos

CAPÍTULO 1

YUNA VAN DIJIK

HAIA HOLANDA

 

— Com certeza devo estar sonhando. 

É a única coisa que consigo pensar ao me olhar no espelho do quarto onde estou hospedada no Palácio Huis Ten Bosch, pois o que vejo reflete uma versão de mim que em hipótese alguma faz algum sentido com a vida que eu tenho.

Em seguida, ajusto com certo nervosismo o vestido azul-marinho que Brigitte[1], minha amiga e futura princesa da Holanda, me deu para usar no seu noivado. O tecido é incrivelmente macio e contrasta bastante com os uniformes ásperos que usei na maior parte da infância no orfanato St. Mary's. 

Três anos. 

Apenas três anos me separam daquela menina de dezoito anos, em pé na chuva de Amsterdã, segurando uma mochila velha e um diário onde eu costumava anotar todos os sonhos que gostaria de viver. 

Lembro do pânico quando o orfanato me expulsou dias após o meu aniversário. "Você é maior agora. Boa sorte", a diretora me disse, como se completar dezoito anos fosse um feitiço mágico contra a fome ou o frio. 

Foi então que ele apareceu. 

Sr. Fox, um senhor inglês que trabalhava como zelador no orfanato. Nós mal conversávamos, exceto pelas comemorações de Natal. Ele costumava entregar um doce para cada criança e, às vezes, até alguns brinquedos. 

E então, quando ele me viu chorando na estação central, sua mão calejada segurou minha mochila sem cerimônia. 

“— Minha casa tem um fogão que funciona, uma mini geladeira, uma TV e um sofá que deve caber o seu corpo minúsculo.” 

Congelei de medo. Um homem me oferecendo abrigo? 

Eu conhecia bem como essas histórias terminavam, mas antes que eu pudesse fugir, ele então me olhou e disse: 

“— Não sou santo, garota, gosto de mulheres, mas especialmente aquelas que eu não vi quando eram crianças. Portanto, não serei um demônio em sua vida. Você pode dormir na sala do meu apartamento até arrumar seus trocados. Melhor do que ficar aqui na rua.” 

Nisso, foram dois anos. Dois anos de chá forte demais e biscoitos amanteigados às 5h da tarde, enquanto ele me contava sobre sua Londres natal e como fugiu para Amsterdã após dormir com a filha do patrão. 

Foi ele quem me ensinou a mentir no currículo para conseguir cargos melhores. 

“— Nunca diga que foi faxineira, diga que foi assistente de eventos.” 

E me empurrou para o curso de maquiagem profissional quando me viu chorando sobre outra rejeição de emprego. 

“— Todo mundo precisa de uma arma nesse mundo, Yuna. Você gosta de se maquiar, então a sua arma vai ser um pincel de maquiagem, que além de cobrir as imperfeições dos outros, vai cobrir as suas olheiras. Ah, e quando começar a trabalhar para ricos, diga que também é personal stylist; vi no Google que é chique.” 

Eu realmente me especializei em maquiagem, mas sobre ser personal? Não, absolutamente não. 

Quando a pneumonia o levou no ano passado, eu tinha vinte anos e um certificado na mão. Ele deixou para mim seu apartamento minúsculo em Bijlmer, na parte mais pobre do bairro que já é o mais humilde e peculiar da cidade, e um relógio de bolso no qual está escrito... 

"Para minha filha...". 

Agora, aos vinte e um, após ser aprovada para cursar medicina em Oxford, ainda estou tentando arrumar um jeito de juntar dinheiro. E também para ter condições de dar uma vida boa à pequena Evi. 

Eu sempre visito o orfanato onde vivi para animar as crianças e foi assim, entre uma visita e outra, que me apaixonei pela princesinha de quase 3 anos, dona de lindos cabelos castanho-ondulados e olhos verdes. E então, agindo apenas com esperança de que minha vida vai melhorar, dei entrada nos papéis da adoção e, desde então, sigo visitando-a. Ela até já me chama de mamãe e corta o meu coração ficar cada segundo longe dela. 

Como a saudade aperta o meu peito, disfarço olhando-me no espelho e nesse instante percebo que falta algo a mais. Então, passo o batom vermelho que o Sr. Fox me deu no meu último aniversário, que passamos juntos comendo bolo de caneca. 

Em seguida, após me perfumar, pego meu celular para olhar as mensagens e então vejo uma de Brigitte, no grupo que mantenho com ela e Charlotte. 

***

“Em alguns dias eu vou me casar. 

Vocês precisam encontrar alguém para pelo menos beijar na boca. Pois bem, vocês sabem que hoje, o meu noivado vai estar cheio de homens solteiros, lindos e cobiçados. Joguem o charme de vocês e depois me contem os detalhes...” 

***

Brigitte me faz rir e antes que eu possa responder, vejo que Charlotte está digitando. A mensagem dela não demora a chegar. 

***

“Prometo que vou tentar. 

Em no máximo um mês estarei revirando os olhos sentada no colo de um gostoso...” 

***

Meu Deus. O que se passa na cabeça delas? 

Enfim, eu não sei, mas não custa nada entrar na brincadeira e, quem sabe, me divertir. 

Paquerar eu sei. 

Mas sempre fugi quando percebia que minha investida poderia dar certo. Eu fui abandonada em um orfanato quando eu tinha 3 anos, tenho vagas lembranças da minha mãe e tenho medo de voltar a ser deixada de lado. Mas vou tentar agir como uma garota de 21 anos essa noite. Por isso, respondo:

***

“O primeiro homem lindo que me olhar e eu gostar, prometo que vou conquistar. 

Acho que vai me fazer bem, quem sabe ao menos dar o meu primeiro beijo. Então, eu também prometo. Em no máximo um mês vou descobrir todos os prazeres...” 

***

Em seguida, deixo meu celular na cama e me direciono até a porta do quarto, sentindo um frio no estômago e, a cada passo que dou, me pergunto: Será que vou saber me comportar na frente de tantas pessoas importantes? 

— Respira, Yuna. É só uma festa. É só uma festa. — Ainda repetindo o mantra, saio do quarto e, quando me viro no corredor, esbarro em algo sólido. Não, em alguém e, em milésimos de segundos, mãos grandes seguram meus ombros antes que eu caia. — Perdoe-me pelo esbarrão. 

Só me falta agora ser humilhada por um aristocrata por ser um tanto quanto desastrada. 

— Não precisa pedir desculpa. Para ser sincero, me senti um homem bastante sortudo com esse pequeno incidente. — A voz grave e rouca chama a minha atenção, então ergo o olhar lentamente e... Meu Deus. 

Meu coração erra uma batida, minhas pernas tremem e eu sequer consigo me afastar. 

O homem à minha frente deve ter dois metros de altura. Os ombros são largos, o cabelo é de um tom loiro escuro e ele ainda tem lindos olhos azuis. Ele também usa um terno preto impecável, mas o jeito como a camisa branca se ajusta aos músculos dele é quase indecente. 

Eu até tenho dificuldade de raciocinar direito. 

— A-acho que eu estava indo para o lado contrário do palácio. — Inalo o seu cheiro que é másculo, atraente, uma fragrância que mais parece uma porção mágica e, com receio de demonstrar o quanto o breve contato me deixou desnorteada, afasto um passo. Mas me lembro da promessa que fiz às minhas amigas e não fujo. 

Em seguida, ele sorri, um canto da boca se ergue primeiro e eu presto atenção em cada movimento dos seus lábios. Não por ser uma oferecida, mas simplesmente por ser impossível de ignorar. 

— É, acho que é comum que os convidados se percam. O palácio realmente é enorme. — Seus olhos percorrem meu rosto, depois, a minha boca e, por fim, o meu decote. Eu me sinto nua e isso faz com que meus mamilos endureçam. — A propósito, sou Jacob Davies. 

Davies. O sobrenome me faz sorrir. Ele com certeza é o primo de Brigitte, por isso entrego-lhe a minha mão antes que meu cérebro processe o movimento. 

— Eu sou Yuna Van Dijik. E sou amiga da sua prima. — Seus dedos fecham-se em volta dos meus de maneira firme e, para a minha surpresa, ele não solta. 

— Então é você a famosa Yuna. — Ele sussurra tão perto que fico arrepiada. O que ele está tentando fazer? — Minha prima me falou muito de você. Diz que você não é só uma amiga, é um anjo que caiu na vida dela. E, com todo respeito, você é tão linda que sua beleza parece quase celestial. 

O meu coração acelera e, merda. Por que ele ainda está segurando minha mão? 

— O-obrigada. — Sorrio e suspiro. — Mas por que quase celestial? 

— Acredito que você faz alguns homens pecarem. Eu, pelo menos, já tive alguns pensamentos... 

— J-jura? — Respondo, tentando não gaguejar e acabo mordendo o lábio inferior. — Sabe, Brigitte não me contou que o primo é tão direto. 

— É que sou médico, dou valor a cada minuto da vida. Perder tempo para quê? 

Tentando mostrar que temos algo em comum, fico prestes a contar que sonho em estudar medicina, mas a porta atrás dele se abre e...

— Jacob, querido, podemos ir para o noivado? 

Uma mulher alta, morena, de vestido vermelho, surge na entrada. Oh não, é Kate? Não pode ser; ele está acompanhado da atriz famosa que vi nas redes sociais. 

Por conta disso, Jacob finalmente solta minha mão, mas não parece satisfeito. 

— Kate, esta é Yuna. Amiga da Brigitte. 

— Encantada. — Kate responde, exibindo um sorriso perfeito. 

— Igualmente. — Minto, apertando sua mão por um segundo. E, se fosse possível, até seria menos. 

— Esse seu colar é lindo, Yuna. — Ela parece obcecada pela peça. — É exclusivo, não é? Quem foi o designer? 

Como vou saber? O colar nem é meu. 

Com vergonha, invento uma desculpa qualquer. 

— Ah, deixei minha bolsa no quarto. 

Viro-me antes que qualquer um possa responder e fecho a porta atrás de mim, encostando as costas na madeira, sentindo meu coração batendo tão forte que até parece que vai sair pela boca. 

Se eu não consegui sobreviver nem no corredor do palácio, como vou sair viva do evento? 

E pior, por qual motivo eu estava achando que o primo de Brigitte, um homem que deve ser tão poderoso, estava me dando uma atenção diferenciada? 

Ai Deus, ele é tão lindo, tão... 

— Merda. — Sinto minhas mãos suando novamente e vou até o banheiro para secar. Então, quando estou diante do espelho, entendo o olhar dele para mim. Hoje, estou parecida com alguém que nasceu no mundo dele. 

E estou linda. 

Mas logo a mágica vai acabar e, sabendo disso, eu deveria parar de pensar nele. Mas por que não consigo? Talvez porque eu nunca tenha visto na minha vida um homem tão perfeito?

Saio do banheiro ainda sentindo o coração acelerado, até que ouço... 

— Você é meu, Jacob. E eu só preciso de alguns minutos para te provar isso. — Que merda é essa? 

 

 

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