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CAPÍTULO 3

OLÍVIA MILLER

— Mãe, pelo amor de Deus! — Minhas bochechas queimam. — Não quero detalhes!

Ela solta uma gargalhada.

— Tudo bem, tudo bem, não contarei. — Ela para na minha frente e coloca a mão no peito, como se fizesse um juramento. — Agora vá lavar esse rosto e arrumar as suas malas. O Dr. Carter quer que a gente se mude ainda hoje.

O comando é tão absurdo, tão inesperado, que uma risada de incredulidade escapa dos meus lábios.

— Eu não vou me mudar — levanto-me, encarando-a. — Nem fodendo.

A expressão da minha mãe não muda. Ela então se aproxima e toca meu rosto, afastando um fio de cabelo.

— Minha princesa, você vai sim. — Eu tento recuar, mas o olhar dela me prende. — E tem mais: ele vai pagar sua matrícula na universidade, Livia. Vai pagar todo o seu curso de Medicina. — Ela faz uma pausa, permitindo que eu entenda tudo o que já foi dito. — Ou seja: nossos problemas acabaram. Todos eles. — Ela olha em volta do apartamento decadente. — Sua mãe agora será a esposa de um homem rico e respeitado.

Fico paralisada enquanto as palavras dela ecoam na minha cabeça. Universidade. Problemas acabaram. São todas as minhas orações respondidas de uma só vez. Mas o preço, o maldito preço deve ser a nossa alma.

— Não, mãe. Eu não vou. — Cruzo os braços com força, como se pudesse me proteger daquela loucura. — Isso pode ser algo passageiro, um capricho dele! E eu não quero cair de paraquedas em uma casa onde não conheço ninguém. É assustador!

Minha mãe suspira e revira os olhos, como se estivesse diante de uma criança teimosa recusando um remédio amargo.

— Olivia, vamos lá. Você não tem muitas opções. — Ela ergue a mão, enumerando com os dedos: — Primeiro: ou você vai morar comigo na mansão do meu namorado, ou vai ter que morar com seu pai. — Ela faz uma pausa calculada, mantendo os olhos fixos nos meus, testemunhando o impacto. — E segundo: o meu amor já pagou o aluguel atrasado, e eu já liguei para o proprietário para entregar as chaves. O apartamento não é mais nosso.

As palavras dela me atingem e o ar sai dos meus pulmões. Ela não me deixou escolha. Mas eu sempre consigo uma...

— Então vou pedir ao meu pai para morar com ele.

Minha mãe não parece surpresa ou magoada.

— Como quiser, minha filha. Seu lugar na mansão estará sempre guardado. Um quarto lindo, com vista para os jardins, foi reservado especialmente para você. — Ela dá um passo para trás e me observa dos pés à cabeça. — Mas se você quiser viver essa experiência com seu pai, tudo bem. Vou ficar te esperando. Você sabe onde me encontrar. — Ela vira as costas, examinando as unhas. — Agora, se me dá licença, vou para o meu quarto. Não tenho muito o que levar, mas vou recolher alguns itens pelos quais tenho algum apego sentimental.

Ela sai da sala e eu fico sozinha, pensando no que acabo de ouvir; em seguida, meus dedos encontram o celular no bolso e eu ligo para o meu pai. Ele atende na primeira chamada:

— Livia! Consegui, filha! Consegui o dinheiro. Falei com o chefe, adiantei um pagamento e agora…

— Pai… — eu o interrompo. — Não vai mais precisar do dinheiro. Mas obrigada. Obrigada por ter tentado.

O silêncio do outro lado é carregado. Ele percebe rapidamente que algo está fora do lugar.

— O que aconteceu, princesa? Sua voz está estranha.

Um suspiro profundo escapa de mim enquanto fecho os olhos.

— A mãe... ela está se mudando. Hoje. Ela arrumou um namorado. O Dr. Carter. Aquele que era psiquiatra dela.

— Mas eles se aproximaram no consultório?

— Não me pergunte, pai, porque eu não sei os detalhes. Só sei que tudo mudou por aqui. Ela já pagou o aluguel e devolveu as chaves. — Mordo meu lábio, enquanto a próxima pergunta queima a minha língua: — Pai, será que posso morar com o senhor? Só até me organizar... Eu juro que não vou atrapalhar, eu…

— Claro! — Ele não demora nem um segundo para responder. — Você sempre é bem-vinda aqui em casa, Livia. E, bem, temos um quarto sobrando agora.

Eu fico tão feliz que as minhas pernas amolecem e me apoio na parede.

— Obrigada, pai. Vou arrumar minhas coisas e chego aí ainda hoje à noite.

— Certo. Vou te mandar o endereço.

— O endereço? — Franzo a testa. — Eu sei onde você mora, pai. Aquele apartamento na…

— É que nós nos mudamos, Livia. Faz uns dias. Eu esqueci de te contar. Você sabe como sou esquecido.

— Sei sim. Então manda o endereço.

Logo depois, caminho até o quarto da minha mãe.

— Mãe. — Ela se vira, exibindo um sorriso no rosto. — Está confirmado: vou morar com o pai.

— Tudo bem, minha filha. Eu te amo e te desejo sorte. — Ela vem até mim e me dá um beijo rápido na testa.

— Espero que a senhora seja feliz.

— Oh, meu amor... — ela ri baixo. — Eu já estou sendo muito feliz. E vou contar os minutos para você se arrepender e ir morar com a mamãe.

— Eu não vou me arrepender.

Minha mãe suspira.

— Veremos.

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