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CAPÍTULO 6
OLÍVIA MILLER
Depois de me despedir da minha mãe, no início da noite, estou na porta de casa, com as malas ao meu lado, até que o carro de aplicativo chega logo em seguida. O motorista ajuda a colocar as malas e as caixas no porta-malas. E, enquanto penso o quanto é assustadoramente pouco tudo o que tenho para dezenove anos de vida, me sento no banco de trás.
Assim que ele dá a partida, fico observando as ruas. A viagem dura meia hora até chegarmos ao subúrbio, cheio de ruas calmas, arborizadas e casas geminadas idênticas.
Até que o veículo para em frente a uma delas, com um pequeno gramado na frente. E lá estão eles na calçada: meu pai, com as mãos nos bolsos e um sorriso tenso, e ao lado dele… ela.
Cassandra. A nova namorada, ou esposa.
Bem, ela é ainda mais jovem do que imaginei; não deve ter mais de vinte e cinco anos. Ela ainda usa um short curtíssimo e um top justo que mostra quase tudo.
Tímida, abro a porta do carro e saio, ainda meio tensa, enquanto o motorista descarrega as malas na calçada e vai embora.
— Livia! — Meu pai vem até mim e me puxa para um abraço rápido e desajeitado.
— Oi, pai. — Quando o abraço, sinto o cheiro acolhedor da loção pós-barba preferida.
— Olha só você, toda crescida, minha bebê — ele diz, segurando meus ombros.
— Pai, continuo do mesmo tamanho desde os 13 anos.
— Mas você sempre será a minha bebê. — O olhar dele foge do meu depois de um segundo para observar Cassandra se aproximando. Os saltos dela estalam na calçada.
— Oi, Olivia! Finalmente te conheço! — Ela não tenta me abraçar, mas me examina de cima a baixo e sorri. — Você é linda. — Segura a minha mão. — Agora somos uma grande família! Vou amar ter uma amiga em casa.
Forço um sorriso educado.
— Pois é, obrigada por me receber.
— Claro, querida! Esta casa é grande demais para só nós dois. — Ela dá uma risadinha e se vira para o meu pai: — Robert, amor, pega as coisas da Livia para a gente entrar. — Volta o olhar para mim: — Vem, vou te mostrar a casa!
Acabo ajudando meu pai, pegando duas caixas enquanto ele agarra as malas, e nós entramos juntos.
Quando cruzo a porta, até que gosto do que vejo. A decoração é simples, mas tem um certo capricho. Em seguida, meu pai sobe direto para deixar a bagagem no meu quarto, enquanto Cassandra me conduz até a sala de jantar. Na mesa, vejo o que prepararam: uma quantidade enorme de sanduíches, batata frita, suco de caixinha e um prato cheio de doces.
Meu pai não demora a se juntar a nós, pondo a mão no ombro da jovem esposa:
— A Cassandra fez questão de preparar tudo para você se sentir em casa, filha.
Cassandra sorri, mordendo o lábio inferior:
— Seu papai tem razão, eu quis te receber direito. — Cedo um sorriso. Acho que ela é só uma garota tentando agradar.
— Obrigada, Cassandra. Adorei a recepção — digo, sendo bastante sincera.
Mais tarde, depois que conheço o meu quarto e tomo uma ducha, nós três nos sentamos à mesa. A conversa flui um pouco travada, mas flui. Meu pai fala do trabalho novo, Cassandra comenta sobre uma loja onde sonha em trabalhar; enquanto isso, me alimento sentindo um alívio absurdo tomar conta de mim, pois acredito fielmente que talvez dê para conviver em paz aqui.
Até que, quando termino, me levanto e vou recolhendo os pratos.
— Podem deixar que eu vou arrumar tudo.
— Ah, obrigada, Livia! — diz Cassandra, já puxando meu pai pela mão em direção à escada. — Nós realmente estamos cansados.
— Tudo bem, vão descansar. Boa noite...
Eles sobem as escadas e eu fico na cozinha, organizando a bagunça. Também limpo a mesa onde respingou um pouco de molho. A casa fica em silêncio; mas, depois que ligo a máquina de lavar louça e subo para o meu quarto, pronta para uma noite de sono, o inferno começa.
Primeiro ouço um gemido longo, alto e exagerado, e depois...
— Isso... Isso, isso, isso... Não para, Robert, não para...