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CAPÍTULO 2
OLÍVIA MILLER
Tiana: E eu aqui, jogando currículo para todo lado como se fosse chuva de papel picado. Não desisti de conseguir me matricular na universidade, mesmo os meus pais me dizendo que é loucura. Então, preciso trabalhar.
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Meus dedos hesitam sobre o teclado antes de digitar:
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Olivia: Aqui as coisas estão complicadas. Minha mãe segue pensando no que vestir e em fazer fotos para as redes sociais, mas acho que estou chegando no meu limite. As contas não param de chegar e não vejo nenhuma saída. E sobre a universidade, acho que já desisti.
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A resposta de Blanca salta na tela em segundos:
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Blanca: Eu já falei: posso ajudar com o que você precisar, Liv. Tenho um dinheiro no banco... E não parei de procurar um trabalho decente para vocês com o pessoal do Templo. Inclusive, fiquei sabendo que o Sr. Johnson, um membro afortunado, está precisando de duas assistentes no escritório dele. Vou conversar com ele amanhã. Confiem, vai dar certo!
Tiana: O foda é que o "certo" sempre escolhe o caminho mais longo para algumas de nós. Parece que Liv e eu estamos marcadas pelo selo da derrota.
Olivia: Obrigada, amiga. Juro que se a corda apertar demais, eu aceito a sua ajuda. Prometo.
***
Mudo de assunto logo em seguida para não ficar ainda mais constrangida.
***
Olivia: O que será que a Chloe diria para a gente agora?
Blanca: Ela estaria louca com a possibilidade de você e a Tiana ficarem fora da universidade. Ps. Minha mãe jurou de pés juntos que viu o pai dela passando em um noticiário, do outro lado da rua em um corte do ao vivo. Mas quando fui sentar na frente da TV, a reportagem já tinha acabado. Também procurei online e não encontrei nada.
Tiana: No momento, só torço para que ela e o Douglas se reencontrem em algum momento. Esses dias até sonhei que ela estava grávida de uma menina.
Blanca: Eu ia amar ser tia. Imagina a perfeição de uma filha da Chloe com o Douglas?
Olivia: Eu também ia amar.
***
Sorrio só de imaginar, mas logo em seguida o barulho da chave na fechadura interrompe a troca de mensagens e, quando olho para a porta da frente, vejo a minha mãe. Ela, ao contrário da roupa com que estava quando saiu, chega usando um casaco estruturado e com os olhos transbordando uma euforia quase palpável.
— Filha, você não tem noção da surpresa que eu tenho para você! — ela anuncia, gesticulando no ar, com a respiração acelerada.
Eu me levanto em um pulo tão desajeitado que derrubo o caderno de despesas.
— A senhora conseguiu um emprego? — Meu coração dispara, sentindo uma ponta de esperança. — Por favor, me diz que sim!
O olhar vitorioso que minha mãe me passa é a única coisa que me mantém em pé e eu me agarro a ele.
— Não consegui, filha. — O chão desaparece sob os meus pés e o ar sai dos meus pulmões de uma vez só.
— Não? — Balbucio. — Mãe, e agora? O que nós vamos fazer? O aluguel…
— Filha, fique calma — ela vem até mim e segura as minhas mãos. — Respira. Eu tenho algo a te contar.
— Se for algo ruim, mãe, melhor não contar. Eu não aguento mais problemas. E outra: o papai vai dar um jeito. Ele disse que ia pensar em algo.
Ela gargalha, exalando um desdém que me incomoda.
— Seu pai? Olivia, pelo amor de Deus! Ele é um pobre coitado. — Revira os olhos. — E agora ele tem a garotinha de vinte e poucos anos para sustentar, a nova esposa ridícula que só quer o conforto que ele pode oferecer.
Eu me afasto, cruzo os braços e caminho até a janela.
— Mãe, a senhora tem que se decidir — minha voz sai mais firme do que eu esperava. — Ele é um pobre coitado ou pode oferecer conforto? Será que a nova namorada do papai é realmente apenas interesseira, ou a senhora só não superou que ele seguiu em frente?
Ela resmunga, abanando a mão como se estivesse enxotando um inseto irritante.
— Bem, eu não quero falar do passado. Quero falar do presente. — Ela passa as mãos ao lado do vestido.
— Tá. — Eu respiro fundo, virando-me para encará-la. — Fala. Qual é a grande novidade?
Ela me olha nos olhos.
— Eu estou namorando o Dr. Carter. O meu psiquiatra.
— O-o quê? — As palavras saem entrecortadas. — O dono do hospital que estava te prestando atendimento psiquiátrico de graça? — Ela acena com a cabeça, exibindo um sorriso tímido nos lábios. — Mãe... — Eu cambaleio de volta para o sofá e me sento. — Está falando sério? A senhora é linda, mas ele deve estar te enganando. Entenda: ricos não gostam de pobres. Isso não existe.
Ela sorri cheia de confiança e ergue a cabeça, orgulhosa.
— Justamente: eu sou linda, Olivia. E, depois de algumas sessões com o melhor psiquiatra desta nação, consegui ter um pouco mais de autoestima. — Ela dá um passo à frente. — Fazer o quê se ele percebeu como eu sou por dentro e por fora?
Meu queixo quase bate no chão.