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CAPÍTULO 7
OLÍVIA MILLER
O constrangimento me atinge como um balde de água fria e eu congelo no corredor, com a mão ainda na maçaneta da porta do meu quarto. Em seguida, me enfio no quarto e fecho a porta, tentando abafar o som.
Mas não adianta nada. Os gemidos continuam, acompanhados pelo ranger ritmado da cama. Puta merda, eles não estão só transando; estão fazendo um show sonoro. Pior: fico ouvindo aquilo por horas até que, quase às 2h da manhã, os barulhos finalmente cessam.
Finalmente consigo adormecer, exausta, mas acordo não sei quanto tempo depois com mais um grito:
— Ahhhhhh... Ahhhh, cachorrão gostoso! — E, para piorar, a cabeceira da cama bate sem parar contra a parede.
Afundo a cabeça no travesseiro para tentar abafar o barulho, sentindo o rosto queimar de raiva e vergonha alheia. E então só consigo pegar no sono de novo quando o céu começa a clarear.
Não sei quanto tempo depois acordo e a casa está quieta; em seguida, preguiçosamente me levanto e olho pela janela para a rua calma e, nesse instante, talvez depois de a raiva ter passado, sorrio.
Agora entendi por que meu pai está tão apaixonado.
Mas que fogo, meu Deus. Quem aguenta transar tanto?
Solto um suspiro e saio do quarto. A casa continua silenciosa, então imagino que finalmente estou sozinha. Uso o banheiro do corredor para minhas necessidades; depois de lavar as mãos, com o estômago roncando, decido descer até a cozinha para caçar algo.
E, para a minha surpresa, vejo meu pai de pé diante da pia, de costas para mim, usando apenas um short de algodão.
— Bom dia, pai — digo, com a voz ainda rouca de sono; contudo, em vez de me responder, ele dá um pulo de susto e se vira de uma vez. E então eu vejo tudo.
Cassandra está de joelhos no chão da cozinha, bem entre as pernas dele, com os lábios vermelhos e inchados, enquanto meu pai agarra um pano de prato na bancada e enrola na cintura às pressas. O rosto dele fica vermelho na mesma hora.
E eu fico paralisada, olhando de um para o outro, sentindo o constrangimento me sufocar.
— V-vocês… — Até gaguejo... — Não param de transar nem para o café da manhã?
Cassandra se levanta do chão com uma calma absurda e passa as costas da mão nos lábios, sem um pingo de vergonha.
— Em minha defesa — ela diz e abre um sorriso descarado —, seu pai é muito gostoso. São quarenta e cinco anos de pura tentação. Não consigo me controlar.
Olho para o meu pai e vejo que ele parece querer que o chão se abra e o engula.
— Tá... — digo, fechando os olhos por um segundo. — Vocês estão na lua de mel, eu entendi. Mas para mim chega. — Dou meia-volta e saio a passos rápidos em direção ao corredor. Ouço os passos apressados do meu pai vindo atrás de mim; em seguida, paro perto da escada e me viro para ele, que ainda está vermelho de vergonha. — É. Eu vou ter que morar com a mamãe.
Ele entra em pânico.
— Não, filha, não precisa! — Ele dá mais um passo na minha direção. — A Cassandra e eu... nós vamos nos controlar. Eu prometo.
Olho para ele, genuinamente feliz, e depois para Cassandra, que continua encostada no batente da cozinha, bem à vontade.
— Pai, você está feliz. — Aponto na direção dela. — E ela também está. E tudo bem, seu brilho até voltou; eu não preciso ser a plateia disso. Pelo menos lá na mansão em que a mamãe está, eu não vou ter que ouvi-la transando.
Não espero ele responder; subo para o quarto e fecho a porta. E, assim que fico sozinha, encosto a testa na madeira.
— Pior do que a minha vida está não pode ficar. Pode? — Pego o celular na mesa de cabeceira e disco o número da minha mãe. Ela atende no segundo toque, com a voz animada:
— Oi, minha filha!
— Mãe... — a palavra sai como rendição pura. — Ainda dá para eu ir morar com a senhora?